O colégio em que trabalho está em fase de transição curricular. Estamos assumindo a proposta pedagógica de ensino por Competências e Habilidades (C/H). A opção pelas C/H não foi arbitrária. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) a cada ano ocupa um espaço maior no sistema de acesso à educação superior.
Qualquer escola de educação básica que tenha por objetivo, além de formar o cidadão, preparar o aluno para o ENEM tende a buscar a adaptação do corpo docente à nova sistemática.
Há um fator interessante nesse processo: a necessidade de mudança. Alguns educadores perguntam: "Precisamos mesmo desta mudança?". Outros dizem: "Sem dúvida! Precisamos preparar nossos alunos para o ENEM!" Daí surgem os questionamentos: "Se a escola deve preparar para a vida, por que agora devemos preparar para o ENEM?" E por aí vai. Parece raro encontrarmos alguém que diga: "Que bom! Esta é uma boa oportunidade para melhorarmos o ensino."
Lembro que há poucos anos, ouvia um ou outro colega de trabalho dizer: "Fica difícil dar aula com esse currículo engessado." Outros diziam que éramos extremamente conteudistas e abordávamos assuntos sem nexo com a realidade. Nos últimos meses, tenho a impressão que essas vozes calaram. Será que o silêncio é devido à mudança de sentimento ou do discurso? Será que talvez não queiramos mais mudanças? Ou será que as mudanças nos surpreenderam e ainda não estávamos (ou estamos) prontos para as novidades?
Em um dos seus livros mais recentes, Perrenoud disse algo que me fez lembrar da forma como percebo certas mudanças no meio escolar. Ele falava sobre a adoção do ensino por competências nas escolas. Disse que percebeu, nas escolas que visitou, certa pressa na adoção do novo sistema de ensino. Destacou que esse processo de mudança deve ser conduzido com cautela e serenidade. Parece que ele acertou em cheio na realidade de muitas das nossas escolas. Estamos acostumados com os modismos na educação (Quem não lembra da "febre" do Construtivismo?).
Será que a atual fase das nossas escolas é um mero modismo? As atuais mudanças do MEC (ENEM, referenciais curriculares, PCN, PCN+...) podem ser uma oportunidade de mudança favorável a uma formação escolar de qualidade? O currículo que desenvolvíamos antes preparava melhor nossos alunos para a vida? Qual a sua opinião?